Quanto eu tinha, acho que 3 anos,
nós fomos da Bahia para o Mato Grosso de pau-de-arara. Você sabe o que é pau-de-arara?
Um caminho assim coberto com uma lona e um monte de família ia. Eu acho que na
minha família aquela época tinha oito crianças pequeninhas, a família do meu
tio Carmo tinha umas 10 crianças, família do meu amigo, do amigo da família lá
do Seu Joaquim tinha mais umas 10. Eu sei que era umas 30 crianças dentro de um
pau-de-arara. Levou 3 dias pra chegar da Bahia até o Mato Grosso. Aí os
fazendeiros de Mato Grosso tinha um plano pra arrecadar o... pra chamar o povo
pra trabalhar lá no Mato Grosso, só que não dava estrutura nenhuma pro pessoal.
Eles falavam que tinha casa, mas a gente chegou lá não tinha casa nenhuma pra
esse monte de família. A gente morava em cobertura de lona, ficamos acho que 6
meses morando em cobertura de lona pra depois cada pai de família construir sua
casa de pau a pique. Lá no Mato Grosso as casas eram tudo de pau a pique. Isso
em 1965, por aí. Aí essas famílias ficavam trabalhando pra esses fazendeiros
ricos... muito ricos. E trabalhava como escravos, porque a família toda chegava
e tinha que sobreviver, né? Aí eles tinha sempre um comércio, nesse comércio,
eles vendia mantimento pras famílias e eles trabalhavam. Só que todo fim de
semana que ia lá acertar as contas, o dinheiro nunca dava pra pagar a conta.
Ficava sempre devendo. E na semana seguinte ia buscar mais mantimento pra
sustentar a família e ficava devendo mais, devendo mais. Então trabalhava como
escravo, eu acho um tipo de escravidão, né? Aí quando a família se rebelava e
queria sair, ainda era ameaçado de morte. Aconteceu com meu pai, aí meu pai
pegou... tinha uma plantação lá no fundo do quintal que ele falava que podia
plantar pro consumo da família. Meu pai falou assim: Não, você fica com a minha
plantação, com a minha criação, porque eu vou embora. Aí nós tivemos que sair
de lá, porque não ia ter futuro nenhum pra ninguém, né? Aí foi pra uma cidade
próxima, onde todo mundo começou a trabalhar bem, bem jovem. O Arnaldo começou
a trabalhar acho que com 14 anos, Adelino também com 13. Meu irmão Zica com 16.
A gente foi morar na periferia de Rondonópolis, uma casa horrível, sem água,
sem esgoto, sem luz... Aí começamos lá, né? Mas pelo menos tinha escola, a
gente ia pra escola. Minha mãe conseguiu, é... mudar lá pra gente estudar
(2:42)
Três Marias
terça-feira, 15 de maio de 2018
domingo, 15 de abril de 2018
Diário de Bordo - 4
Fiz alguns registros do aniversário da minha madrinha e entrevistei minha tia. Foi muito bacana! Extremamente enriquecedor!
Até quarta-feira, acho que consigo transcrever tudo. Na quinta-feira, finalizo as entrevistas =D
Até quarta-feira, acho que consigo transcrever tudo. Na quinta-feira, finalizo as entrevistas =D
quinta-feira, 12 de abril de 2018
Diário de Bordo - 3
Conversei com minhas entrevistas e combinamos de não seguir um roteiro. Nesse momento, faremos uma entrevista breve para conclusão do projeto para a disciplina e, nos próximos meses, tentaremos estruturar um projeto mais amplo, que conte a história de mais pessoas da minha família, sempre enfatizando o recorte de migrações, gênero e preconceito ambiental.
Acho que a proposta de trabalho da disciplina foi excelente, não só para conhecermos nossas histórias e de pessoas muito próximas, mas também por fazer com que pessoas que acreditam que não fazem parte da "história do Brasil" possam perceber como suas trajetórias são relevantes na construção de uma história que não caia no discurso único, como posto pela Chimamanda. Assim, faz com que as pessoas se interessem por criar suas próprias narrativas.
Acho que a proposta de trabalho da disciplina foi excelente, não só para conhecermos nossas histórias e de pessoas muito próximas, mas também por fazer com que pessoas que acreditam que não fazem parte da "história do Brasil" possam perceber como suas trajetórias são relevantes na construção de uma história que não caia no discurso único, como posto pela Chimamanda. Assim, faz com que as pessoas se interessem por criar suas próprias narrativas.
sexta-feira, 6 de abril de 2018
Diário de bordo - 2
Consegui o microfone de lapela, mas como minhas tias moram longe, estou com dificuldade de agendar a entrevista com elas.
Quando falei para minha mãe que a ideia era que a entrevista fosse livre, ela ficou um pouco receosa. Por isso, estou tentando estruturar um questionário que busque subsidiar a entrevista sem deixar muito amarrado. Está difícil...
Para estruturar o questionário, estou realizando pesquisa bibliográfica sobre migrações contemporânea, algumas coisas sobre gênero.
Acredito que os temas que vou abordar serão: migrações, preconceito ambiental e gênero.
Como minha madrinha completará 70 anos em abril, combinamos de realizar as entrevistas e registros nesse evento comemorativo.
Como minha madrinha completará 70 anos em abril, combinamos de realizar as entrevistas e registros nesse evento comemorativo.
Atividade 2
1) Com quais histórias a sua história se conecta? Durante a aula, várias pessoas foram apresentando sua história e encontrando temas em comum uns com os outros. Você pode olhar aqui o que seus/suas colegas escreveram e traçar esses temas comuns para que possamos reconhecer quais são os que se destacam em nossa História do Brasil Contemporâneo.
Durante a aula, vi diversas histórias que se conectavam com a minha, em especial, as que tratavam de famílias que migraram do Nordeste. Além disso, mesmo que não seja meu objeto de pesquisa atual, as histórias apresentadas que se relacionavam com ascendências orientais me fizeram com vontade de pesquisar sobre a outra parte da família também.
2) Como você irá organizar metodologicamente suas coletas e criações documentais? Durante as aulas da semana, falamos sobre como realizar entrevistas de histórias de vida com roteiros abertos (guiando a conversa por etapas da trajetória pessoal). Também falamos sobre a preparação necessária para gravar uma entrevista em áudio ou em vídeo, entre outros pontos que ligam as questões tecnológicas com a estética, e que irão definir a forma e o conteúdo do seu trabalho.
Pedi que meus familiares enviassem fotos e, como as imagens estão chegando por e-mail e WhatsApp, estou guardando em uma pasta para, posteriormente, selecionar quais irão para a composição final do projeto. As entrevistas estão em uma pasta na nuvem e a edição será disponibilizada no Youtube e vinculada à página do WIX.
3) Quais produtos você planeja criar a partir da sua pesquisa? Além de transcrever/transcriar uma entrevista, fazendo a mediação da linguagem oral para a escrita, também podem ser criados pequenos documentários a partir da edição de vídeos. Ou ainda exposições de documentos (fotos, escritos, jornais… etc.)
Produto audiovisual (edição dos depoimentos), evento para compartilhar o resultado com familiares e homenagear as nossas estrelas , bem como o site que compilará todas as informações.
domingo, 1 de abril de 2018
Diário de bordo - 1
Este blog tem como objetivo compartilhar as experiências vivenciadas durante a produção do Projeto Três Marias, desenvolvido na disciplina Formação Histórica do Brasil Contemporâneo, ministrada pela Profª Andrea Paula dos Santos Oliveira Kamensky.
terça-feira, 27 de março de 2018
Atividade
1) Como foi seu aprendizado sobre História na Educação Básica? Que tipo de conhecimento aprendeu?
No Ensino Fundamental, tive aulas bem superficiais, com base em senso comum e com foco em decorar informações em refletir. Lembro da ordem que nos apresentaram os fatos relacionados ao colonialismo que fazia com que pensássemos que o "descobrimento" do Brasil foi anterior ao Tratado de Tordesilhas. Enfim, foi a apresentação da história brasileira forjada que grande parte das pessoas conhecem. No Ensino Médio, tive poucas aulas de história, pois a professora ficou em licença por mais de dois anos.
2) Você sabe qual é a sua história, da sua família e comunidade? Que
ligação pode ser feita da sua história com a história do Brasil e do
mundo?
Conheço alguns enredos da história da minha família, em especial, dos meus avós maternos e paternos e do meu pai e minha mãe. Do lado paterno, a ascendência japonesa possibilita a ligação com a grande imigração para o Brasil no começo do Século XX. Do lado materno, a miscigenação de indígenas, negros e colonizadores europeus (em especial espanhóis e portugueses) se deu na Bahia.
3) Quem será entrevistado/a na sua família para produzir uma história de
vocês é do Brasil Contemporâneo? Por que? Que outros documentos
(escritos, fotografias, objetos, vídeos etc.) podem ajudar a fazer essa
produção histórica?
Entrevistarei minha mãe e minhas tias, buscando relacionar as histórias com migrações e gêneros. Além das entrevistas, buscarei fotografias e vídeos familiares.
4) Faça um resumo das sua própria história e de que pontos além dela poderão ser abordados para pesquisa no nosso quadrimestre.
Nasci no dia 30 de junho de 1987 em São Paulo/SP, no Hospital do Ipiranga. Como supramencionado, tenho ascendência nipônica e nordestina e, por isso, na infância, senti como é ser superestimada e subestimada ao mesmo tempo. Vivi grande parte da minha juventude em São Mateus, onde fiz o Ensino Fundamental em uma escola particular perto de casa. No Ensino Médio, passei na ETEC e fui estudar "longe", no Tatuapé. Essa mudança fez com que aprendesse muito e saísse da minha zona de conforto. Fiz minha primeira graduação com bolsa integral do PROUNI em letras (apesar de querer audiovisual), no ano passado concluí o MBA em Gestão Escolar e agora, curso BCH na UFABC e MBA em Gestão de Projetos na ESALQ. Atuo, desde 2014, no gerenciamento de projetos de Extensão no IFSP.
4) Faça um resumo das sua própria história e de que pontos além dela poderão ser abordados para pesquisa no nosso quadrimestre.
Nasci no dia 30 de junho de 1987 em São Paulo/SP, no Hospital do Ipiranga. Como supramencionado, tenho ascendência nipônica e nordestina e, por isso, na infância, senti como é ser superestimada e subestimada ao mesmo tempo. Vivi grande parte da minha juventude em São Mateus, onde fiz o Ensino Fundamental em uma escola particular perto de casa. No Ensino Médio, passei na ETEC e fui estudar "longe", no Tatuapé. Essa mudança fez com que aprendesse muito e saísse da minha zona de conforto. Fiz minha primeira graduação com bolsa integral do PROUNI em letras (apesar de querer audiovisual), no ano passado concluí o MBA em Gestão Escolar e agora, curso BCH na UFABC e MBA em Gestão de Projetos na ESALQ. Atuo, desde 2014, no gerenciamento de projetos de Extensão no IFSP.
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